Desde 1976, a APAE DE SÃO PAULO realiza em seu laboratório o Teste do Pezinho com o objetivo de garantir o tratamento precoce de diversas doenças e promover uma melhor qualidade de vida à criança, além de diagnosticar e evitar o desenvolvimento de deficiências intelectuais. Atualmente, além do Teste do Pezinho convencional, a Organização realiza análises mais completas, como os exames para diagnosticar a Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) e a Agamaglobulinemia (AGAMA), que podem levar a óbito caso não sejam tratadas nos primeiros meses de vida.

De acordo com o doutor Antônio Condino Neto, especialista em Imunodeficiências, SCID e AGAMA são deficiências imunológicas congênitas que não são identificadas no Teste do Pezinho convencional, sendo necessária uma análise mais abrangente. “Essas deficiências podem levar a óbito, pois a criança fica suscetível a diversas infecções sem que seu organismo fabrique anticorpos para combatê-las. Quando é diagnosticada a AGAMA (ausência de imunoglobulinas e células B), o tratamento consiste na reposição de imunoglobulina. No caso da SCID (ausência de imunoglobulinas e células T), o único tratamento é o transplante de medula óssea, que deve ser realizado antes dos três meses de idade. É importante coletar o exame no primeiro ano de vida, caso não tenha sido feito logo após o nascimento. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maiores são as chances de o tratamento ser bem-sucedido.”, diz.

Doutor Condino Neto explica ainda que o recém-nascido é protegido pelo sistema imunológico da mãe durante os primeiros meses de vida, mas quando há deficiências imunológicas congênitas, essa proteção não garante defesa contra infecções potencialmente fatais ou que deixem sequelas graves, o que reforça a importância da realização dos exames de SCID e AGAMA. Entre as doenças que podem acometer a criança estão a meningite e a pneumonia. Antes do transplante e/ou da reposição de imunoglobulina, a criança deve ficar de quarentena e ser medicada com antibióticos e outros remédios para evitar infecções virais, bacterianas e fúngicas. É comum os médicos chamarem o caso de “Doença do menino da bolha”, em razão da obrigatoriedade do isolamento.

Atualmente, todos os hospitais e maternidades do Estado de São Paulo que oferecem os exames SCID e AGAMA o fazem em parceria com a APAE DE SÃO PAULO, que realiza as análises. Os testes são particulares e ainda não estão inseridos no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), do Ministério da Saúde. A Organização aguarda regulamentação do Ministério e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para torná-los obrigatórios no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos convênios médicos.

O Teste do Pezinho convencional é realizado em todo o País desde 1992 por determinação do Governo Federal. O protocolo do Ministério da Saúde orienta que deve ser realizado de três a cinco dias após o nascimento da criança para detectar precocemente problemas genéticos, endocrinológicos e metabólicos. Desde 2011, o exame está inserido no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).

Autor

Doutor Antonio Condino Neto é especialista em Alergia e Imunologia, com ênfase em imunodeficiências primárias. É professor do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e assessor técnico em Imunologia da APAE DE SÃO PAULO.