Formado por um grupo com deficiência intelectual, o programa de Autodefensoria da APAE DE SÃO PAULO busca contribuir com o exercício da defesa e garantia de direitos dessas pessoas, favorecendo o desenvolvimento do sujeito político.

A convite do blog #Inclusão, a assistente social e a estagiária de Serviço Social, Mônica Rocha e Maria Paula Pontes, entrevistaram as autodefensoras Ana Júlia Fernandes e Kátia Ruas* para conhecer mais sobre o trabalho do grupo. Confira!

#Inclusão: O que é e como funciona esse grupo?

Ana Júlia: O grupo defende os direitos das pessoas com deficiência intelectual. Mas não só o meu, o do nosso grupo, mas de todos que tem a deficiência intelectual. Debatemos assuntos que achamos necessários, do que estamos passando no dia a dia, o preconceito. As pessoas continuam fazendo muito bullying e a gente sofre muito com isso na escola, na rua, no ônibus e em todo lugar.

Kátia: A gente vai conversando e ajudando um ao outro, a tentar amenizar a situação que está enfrentando e depois discutimos em grupo no encontro com os autodefensores.

#I: E como vocês defendem os seus direitos, o dos seus colegas e de outras pessoas com deficiência intelectual?

A.J: Conversando, marcando reunião, eventos, fazendo palestras, encontros. E pensando em ações para acabar com preconceito.

K: Nos encontrando para dividir o que cada um está passando e pensar em atividades para acabar com o preconceito, mostrando nossas capacidades.

#I: Como o grupo impactou a vida de vocês? O que ele ajudou a mudar?

 K: É que nós estamos sabendo nos defender agora. Antigamente, a gente precisava o tempo todo dos nossos pais. Para cada problema que a gente tinha, nossos pais tinham que resolver. Cada situação, nossos pais tinham que “dar a cara deles para bater”. Se a gente passasse por alguma situação dentro da empresa, por exemplo, nossos pais iam lá pra querer tirar a gente. Então agora a gente quer começar a fazer por nós. Se formos discriminados no trabalho, eu quero me defender sem ajuda.

A.J – Eu era muito tímida, não sou mais. Eu acho que eu cresci muito, desenvolvi. Acho que mudou minha vida por isso. [Hoje você consegue falar mais sobre suas vontades Ana?] Sim, consigo.

 #I: E vocês como mulheres e com deficiência, sentem que o preconceito é maior?

 A.J – Ele é sim! A gente passa por muito preconceito. Muito. Mas nós estamos demonstrando pra essa sociedade que eles precisam mudar um pouco seus comportamentos, mas eles não querem viver essa mudança.

K: Acho que a ignorância é total e as mulheres sofrem preconceito maior sim.

#I: Vocês disseram que as pessoas não aceitam a opinião das pessoas com deficiência intelectual. Sentem que a sociedade não aceita “a voz” de vocês e que não são ouvidos?

K: Sim. Eu acho que eles escutam, mas não ouvem absolutamente nada do que estamos falando.

#I: Por que vocês acham que a família protege tanto? Vocês avaliam essa atitude como boa ou ruim?

K: Pra mim é ruim, pra falar a verdade. E muitas vezes os filhos têm medo de encarar a família. Porque eu vou dizer uma coisa: temos que ser pessoas que saibam resolver nossa vida, nossos pais não dura para sempre. A maioria está indo embora toda hora, cada um tem o seu momento de nascer, crescer e ir embora. E se a gente passar a vida toda precisando dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos tios e etc, a gente não vai resolver a nossa vida. Porque muitas vezes, eles têm muita coisa para fazer, muita gente para olhar, pessoas de idade que precisam dos cuidados deles, e nós somos responsáveis pelos nossos atos. Temos que ter liberdade total para crescer na vida.

A.J. – Eu vejo que alguns pais são muito protetores. Eu acho que os pais têm que dosar as coisas. Porque eles têm que deixar os filhos livres quando crescem, deixar eles decidirem o que eles querem. Isso é dar autonomia para gente.

Assista a entrevista em vídeo na íntegra:

 

*IMPORTANTE: Ressaltamos que o texto acima é fidedigno com as narrativas das pessoas com deficiência intelectual entrevistadas, respeitando inclusive os erros de concordância gramatical.

Para saber mais sobre o programa de Autodefensoria da APAE DE SÃO PAULO, acesse nosso site www.apaesp.org.br ou pelo telefone: (11) 5080-7000 – R. 395.

 

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