Para conseguirmos responder esta e outras perguntas, precisamos inicialmente compreender alguns aspectos do desenvolvimento infantil.

A teoria da integração sensorial aborda a relação do cérebro e o comportamento em um processo que ocorre no sistema nervoso central, que promove a capacidade de processar, organizar, interpretar sensações e responder de maneira apropriada ao ambiente.

Agora, imagine a seguinte situação: uma criança está passeando com sua mãe em um supermercado e o locutor começa a anunciar os produtos em promoção no alto-falante. De repente esta criança que estava feliz começa a chorar, se morder, se bater, puxar o cabelo ou até mesmo a bater em sua mãe. Logo pensamos, que criança mal educada e ainda esta fazendo birra.

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Diante desta cena, nunca imaginamos que este comportamento pode estar relacionado a um transtorno de processamento sensorial, ou seja, as informações sensoriais que são recebidas pelos nossos canais receptores (visão, audição, olfato, paladar e tato) estão sendo captadas de forma inadequada e as suas respostas estão desorganizadas. Esta é a única forma que ela tem de expressar suas dificuldades que naquele momento esta causando medo e desconforto.

No desenvolvimento neuropsicomotor típico, após o nascimento o bebe recebe novos e variados estímulos motores e sensoriais que vão se aprimorando à medida que ele vai crescendo e ocorrendo a maturação do sistema nervoso , com isso o bebê vai aprendendo a regular todas as sensações e consequentemente dando respostas adaptativas aos estímulos recebidos.

A integração sensorial é a organização das sensações para uso no dia a dia. Quando nosso cérebro envia informações organizadas e adequadas, somos capazes de realizar qualquer tarefa de forma eficaz. Caso contrário, temos dificuldades de sentir e ordenar nossas sensações.

Revista Psique-sensorial

A terapia da integração sensorial é destinada a crianças em idade pré-escolar e escolar. Também é destinada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dificuldade de aprendizado, distúrbios de fala e linguagem, desordens neuromotoras, Síndrome de Down e Deficiência Intelectual.

Atualmente, a APAE DE SÃO PAULO, possui uma sala de atendimento em integração sensorial que contempla o atendimento de crianças com faixa etária dos três aos 12 anos de idade com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, síndrome de Down, e desordens neuromotoras. Além disso, o atendimento está sendo realizado em crianças sem diagnóstico prévio, mas que apresentam algum comportamento que possa estar interferindo no desempenho das atividades de vida diária, escolar e no convívio social.

Autora

Renata-Blog-02Renata Nogueira Capeto Tupicanskas é Terapeuta Ocupacional, pós-graduada em Terapia Ocupacional: Uma visão Dinâmica Aplicada à Neurologia; pós-graduada em Tecnologia Assistiva, curso completo pela Artevidade de Intervenções no Processamento Sensorial e Integração Sensorial. Há 10 anos atua na área de educação como membro da equipe do Atendimento Educacional Especializado (AEE) de alunos com Deficiência Intelectual e da equipe técnica do Serviço de Socioeducação da APAE DE SÃO PAULO.