O circo possui uma história ampla, rica e antiga. Quase todas as civilizações do mundo já praticavam algum tipo de arte circense há pelo menos mil anos, porém, o circo como se conhece hoje só começou a tomar forma durante o Império Romano.

O mais famoso foi o Circus Maximus, que teria sido inaugurado no século VI a.C., com capacidade para 150 mil pessoas. De lá para cá muita coisa mudou, principalmente na maneira como suas modalidades têm sido ofertadas à população. O que antes era algo bem distante, praticado nas áreas menos povoadas das cidades grandes ou interioranas, quase sempre por pessoas jovens que se lançavam no picadeiro em busca de uma nova profissão, acabou se tornando uma atividade popular e completa, oferecida em incontáveis espaços comunitários, para todas as idades, com a proposta de unificar uma vida ativa e longe do sedentarismo à alegria, a autonomia e ao bem-estar dos praticantes.

“O circo deve ser encarado como um exercício regular que traz benefícios específicos para o corpo de acordo com as modalidades praticadas. No entanto, é necessário desenvolver um condicionamento físico para realizar os treinamentos de forma eficiente”, orienta Samir Salim Daher, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Segundo ele, uma pessoa sedentária que inicia a prática, depois de três meses de exercícios regulares vai começar a notar os benefícios.

Mas o que isso tem a ver com pessoas com Deficiência Intelectual em processo de envelhecimento?

A resposta para essa pergunta é: tudo.

20170919_155811Se atualmente o Circo é uma arte que quase não se vê, há 30, 40 e 50 anos atrás, o picadeiro vivia o seu auge no Brasil. Nessa época, as pessoas, que hoje são atendidas pelo departamento de envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO, eram crianças e jovens, e provavelmente estavam tocadas e apaixonadas pela magia circense.

Portanto, além dos benefícios específicos que as modalidades de malabarismos, jogos rítmicos e de expressão corporal, oferecidas na oficina de circo, podem proporcionar na busca da manutenção da funcionalidade dos participantes, também está presente um resgate importante de memória (algo que foi vivido, visto, sonhado ou contado). Podemos destacar o equilíbrio, a força, a postura, a coordenação motora, a alternância da lateralidade e a orientação espaço-temporal como habilidades envolvidas em cada uma das atividades oferecidas e que são primordiais na busca por um ser humano mais íntegro, independente e autônomo, que envelheça com qualidade e satisfação. O circo proporciona uma vivência feliz, prazerosa e altamente social, contribuindo para a manutenção da autoestima e de relações mais estreitas e saudáveis.

Respeitável público, vocês estão convencidos?

Entrem no picadeiro que o show vai começar!

 

REFERÊNCIAS:

http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2013/04/oficina-com-atividades-circenses-atrai-turma-da-melhor-idade-em-maceio.html

http://revistavivasaude.uol.com.br/bem-estar/circo-faz-bem-a-saude/349/#

Matulle, Rafaeli de Clara; Storerr, Danielli. A Magia do Circo na Escola: Possibilidades de aplicação das atividades circenses nas aulas de Educação Física, SP 2011.

Autor

Ricardo ValverdeRicardo Jabbur Valverde é graduado em Educação Física e Pós-graduado em Administração e Marketing Esportivo. É educador físico do departamento de envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO, onde ministra oficinas de jogos, hidroginástica, artes marciais e experimentação circense.